Celina Alves Terapeuta

Celina Alves - Terapeuta Especialista em Reprocessamento Generativo

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Por que me apego tanto a quem me faz mal?

Muitas pessoas se perguntam por que se apegam tanto a quem lhes faz mal, mesmo sabendo que aquela relação machuca, desgasta e confunde.

Quando tentam ir embora, sentem angústia, culpa, saudade intensa ou até medo. Não é falta de amor-próprio simples, nem carência banal. O apego a quem faz mal costuma ter raízes emocionais muito mais profundas.

O apego não nasce no presente, ele vem da história emocional

Na maioria dos casos, esse padrão começa cedo. Pessoas que aprenderam, ainda na infância, que o amor vinha misturado com ausência, instabilidade, medo ou rejeição, acabam associando vínculo à dor. O emocional registra que amar é se esforçar, tolerar, esperar, suportar.

Por isso, quando adultas, essas pessoas se sentem estranhamente atraídas por relações difíceis. Não porque gostem de sofrer, mas porque aquilo soa familiar. O conhecido, mesmo doloroso, parece mais seguro do que o desconhecido.

Quando o afeto vem acompanhado de ameaça de perda

Em relações que machucam, é comum existir um jogo emocional intenso: aproximação e afastamento, carinho seguido de frieza, promessa seguida de decepção. Esse vai e vem cria um estado constante de alerta no corpo. A pessoa passa a viver tentando não perder o outro.

Esse mecanismo ativa uma dependência emocional profunda. O cérebro libera dopamina nos momentos de reconciliação, o que reforça o vínculo, mesmo que o relacionamento seja prejudicial. Assim, o apego não é só emocional, ele também é fisiológico.

A confusão entre amor e necessidade

Outro ponto importante é que muitas pessoas confundem amor com necessidade. Sentem que sem aquela pessoa não vão dar conta, não vão ser amadas de novo ou não vão se sentir completas. Esse sentimento costuma vir acompanhado de pensamentos como “ninguém mais vai me amar” ou “prefiro isso a ficar sozinha”.

Esse tipo de pensamento não nasce do presente, mas de feridas antigas de abandono, rejeição ou invalidação emocional. O outro passa a ocupar um lugar de sustentação interna que, na verdade, nunca deveria ter sido delegado a ninguém.

Por que é tão difícil ir embora mesmo sabendo que faz mal

Sair de uma relação assim não é apenas terminar com alguém. É enfrentar medos profundos, como o medo da solidão, do vazio, da própria identidade sem aquele vínculo. Muitas vezes, a relação vira uma forma de anestesiar dores internas que ainda não foram elaboradas.

Por isso, quando a pessoa tenta se afastar, não sente alívio imediato. Sente abstinência emocional. E isso costuma ser confundido com amor.

É possível quebrar esse padrão?

Sim, mas não pela força de vontade apenas. Esse tipo de apego precisa ser compreendido, não combatido com culpa. Quando a pessoa entende de onde vem esse padrão, o corpo começa a relaxar. Aos poucos, ela aprende que pode existir vínculo sem dor e que não precisa se perder para ser amada.

A terapia ajuda justamente a reorganizar essa lógica interna, ressignificando experiências antigas e fortalecendo a autonomia emocional. Não é sobre endurecer o coração, mas sobre parar de se machucar para não se sentir sozinha.

Com carinho,

Celina Alves – Terapeuta TRG

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