Celina Alves Terapeuta

Celina Alves - Terapeuta Especialista em Reprocessamento Generativo

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Fase da Desvalorização no Relacionamento Narcisista

Quando o encanto começa a rachar

A fase da desvalorização não começa de forma brusca. Na maioria das vezes, ela chega de mansinho. Pequenos comentários, mudanças sutis de comportamento e um clima estranho que a vítima não sabe explicar direito.

Aquela pessoa atenciosa do início ainda aparece de vez em quando, mas agora vem misturada com frieza, críticas e silêncio. Isso confunde. E é exatamente esse o efeito desejado.

Nada é dito de forma direta

O narcisista raramente ataca de frente. Ele prefere alfinetadas, ironias e comentários que parecem inofensivos, mas machucam.

Pode ser uma piada sobre a roupa, uma crítica sobre a forma de falar, uma comparação com alguém “melhor”. Tudo isso vem disfarçado de brincadeira ou preocupação.

Quando a vítima se incomoda, ele minimiza: “você está exagerando”, “era só uma brincadeira”, “você anda muito sensível”.

A mudança de comportamento que dói mais

Uma das coisas que mais machucam nessa fase é a mudança emocional. O narcisista se torna menos presente, menos carinhoso e menos interessado.

Mensagens demoram a ser respondidas. Convites diminuem. O afeto some sem explicação.

A vítima começa a se perguntar o que fez de errado. Revê conversas, atitudes e tenta corrigir algo que nem sabe o que é.

O jogo do quente e frio

Aqui entra um padrão muito comum: um dia o narcisista é frio e distante, no outro aparece carinhoso, como se nada tivesse acontecido.

Esse vai e vem emocional cria confusão, ansiedade e dependência. A vítima passa a viver na expectativa dos dias bons e a tolerar os ruins.

Sem perceber, começa a se adaptar, se calar e se moldar para não “perder” o relacionamento.

Exemplos típicos da desvalorização

O narcisista passa a corrigir tudo: como a pessoa fala, se veste, pensa ou reage. Nada parece bom o suficiente.

Ele pode elogiar alguém na frente da vítima ou comentar como outras pessoas são mais interessantes, mais leves ou mais maduras.

A autoestima vai sendo corroída aos poucos. A pessoa que antes se sentia especial agora se sente inadequada.

Por que a vítima não vai embora nessa fase

Porque ainda existe esperança. A memória da fase da idealização está viva.

A vítima acredita que, se se esforçar mais, tudo pode voltar a ser como antes. Ela não percebe que aquela versão encantadora não era real, mas estratégica.

Além disso, a desvalorização não vem sozinha. Ela vem acompanhada de culpa, confusão e medo de perder.

O terreno perfeito para o gaslighting

A fase da desvalorização prepara o terreno para algo ainda mais profundo: o gaslighting.

Quando a pessoa já está insegura, cansada e se sentindo insuficiente, fica muito mais fácil fazê-la duvidar de si mesma.

É por isso que essa fase é tão perigosa. Ela não destrói de uma vez. Ela desgasta.

Quando você começa a se diminuir para caber

Se você percebe que passou a falar menos, a pedir desculpas por tudo ou a se sentir sempre errada, algo está muito fora do lugar.

Relacionamentos saudáveis não exigem que você desapareça para funcionar.

A fase da desvalorização não é uma crise passageira. É um sinal claro de abuso emocional em andamento.

Com carinho,

Celina Alves – Terapeuta TRG

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